Uma equipa de investigadores da Universidade de Stanford desenvolveu a Biomni, um agente de inteligência artificial concebido para funcionar como uma verdadeira “co-cientista” nas ciências biomédicas. Mais do que um simples chatbot, a plataforma é capaz de ler literatura científica, analisar grandes volumes de dados, formular hipóteses, escrever código, interpretar resultados e sugerir novas experiências, acompanhando praticamente todas as etapas de um projecto de investigação.
O impacto desta inovação pode traduzir-se em benefícios concretos para a vida das pessoas. Ao reduzir drasticamente o tempo necessário para realizar tarefas que antes exigiam semanas ou meses de trabalho, a Biomni poderá acelerar a descoberta de novos medicamentos, melhorar o diagnóstico de doenças e tornar a investigação biomédica mais eficiente.
Num dos testes realizados, a plataforma analisou mais de 450 ficheiros com dados de monitorização contínua da glicose, alimentação e actividade física. Em apenas 40 minutos, limpou e organizou a informação, produziu visualizações e identificou padrões relevantes para novas hipóteses científicas — um processo que, segundo os investigadores, exigiria cerca de 60 horas de trabalho humano.
A Biomni integra mais de 150 ferramentas especializadas, 105 pacotes de software e 59 bases de dados, cobrindo áreas que vão da genética à neurologia. Além disso, apresenta todas as referências utilizadas e mantém um registo detalhado do seu processo de análise, tornando a investigação mais transparente e reprodutível.
Para os responsáveis pelo projecto, o objectivo não é substituir os cientistas, mas libertá-los das tarefas mais repetitivas para que possam concentrar-se na criatividade, na interpretação dos resultados e na tomada de decisões. Um protótipo da Biomni já está a ser utilizado por mais de 10 mil laboratórios académicos e industriais, tornando-se o sistema de IA colaborativa mais utilizado na investigação biomédica.
Escrito por: Eduardo Quive