Artistas moçambicanos entre os 100 convidados para 17.ª Bienal de Sharjah

As curadoras da 17.ª edição da Bienal de Sharjah, a arménia Angela Harutyunyan e a angolana Paula Nascimento, anunciaram os 100 artistas convidados a integrar o vasto programa do evento, que terá lugar de 21 de Janeiro a 13 de Junho de 2027, nos Emirados Árabes Unidos.

Entre artistas de várias nacionalidades, destacam-se os moçambicanos Ilídio Candja Candja, Reinata Sadimba, Eurídice Zaituna Kala e Ângela Ferreira, cujo trabalho é já internacionalmente reconhecido e dialoga com noções de tempo, passados históricos, erosão da memória e questões contemporâneas que evocam diferentes formas de vazio.

A nota curatorial da Bienal de Sharjah sustenta que “o nosso presente é perturbado pelo que resta de um passado não vivido, por projectos derrotados, mas ainda activos, de uma modernidade assente na emancipação universal. Longe de serem passivos ou adormecidos, esses vestígios continuam a animar o presente com ritmos inquietos, moldando a política do tempo e do espaço. As histórias ressurgem e persistem não como mera repetição, mas como resíduos e processos metamorfoseados que influenciam activamente o presente”.

O tema desta edição é “O que resta, permanece inquieto”, sendo desenvolvido através de diferentes abordagens pelas duas curadoras. Ao explorar as consequências da modernidade socialista, Angela Harutyunyan reúne 55 participantes, propondo reflexões aprofundadas sobre meios e formas de representação artística. Por sua vez, Paula Nascimento investiga as violências lentas do silenciamento e da opressão cultural, reunindo 54 participantes que abordam a infraestrutura como método de análise do espaço e da memória.

Paula Nascimento, arquitecta e curadora angolana, desenvolve práticas que cruzam artes visuais, urbanismo, geopolítica e educação artística. Com uma abordagem interdisciplinar, o seu trabalho destaca-se por leituras contemporâneas de temas históricos ligados à África e ao Sul Global.

Angela Harutyunyan, natural da Arménia e actualmente professora de Arte Contemporânea e Teoria na Universidade de Artes de Berlim, traz uma vasta experiência de investigação nas áreas da arte e cultura pós-soviéticas, estética marxista e teoria curatorial.

Escrito por: Eduardo Quive

Artigo por

Elisa Chauque

Maio 5, 2026

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