Artista etíope Fanuel Leul explora afrofuturismo com arte digital

Fanuel Leul é um nome a reter na cena artística africana contemporânea, que escolheu o caminho da arte digital para construir narrativas de ficção científica através de imagens. Baseado em Adis Abeba, Etiópia, o artista mistura elementos tradicionais com tecnologia futurista, criando composições contrastantes e harmoniosas.

Influenciado pelo Afrofuturismo, Fanuel Leul representa diferentes sensações, buscando no seu interior a construção de cenários em que o negro, os adereços tradicionais como a máscara, a natureza e o místico pôr-de-sol africano, dominam as representações utópicas.

“O meu objectivo é retratar África de uma forma que se liberte dos estereótipos comumente vistos e, em vez disso, celebre o seu espírito vibrante”, justifica Leul.

O seu instinto criativo, a revisitação dos cenários, das personagens e as suas origens no coração do continente africano, dialoga com a formação em Belas Artes em Design Industrial e Belas Artes pela Alle School of Fine Arts, mas não se justifica em si. Ele já tinha concebido o seu caminho como autodidata, que vai, com o andar do tempo, se dedicando em aperfeiçoar a sua técnica e, sobretudo, explorar os diferentes contextos e narrativas.

África é um continente feito de contadores de histórias, muitas delas que ainda estão por contar ou que o mundo tem pouco acesso por conta de, entre outros factores, a língua. Por outro lado, a tradição de fotografia, da cerâmica, da escultura e da pintura, para não falar da música já tem sido de grande contributo para revelar o sentimento, pensamento e a perspectiva africana sobre as próprias sociedades e a vida no continente.

“Acredito firmemente que nosso poço de histórias não contadas não tem fundo. Ao pintar mundos vividamente imaginativos, espero encorajar as mentes africanas a dar vida às suas próprias inspirações. Minha arte é tanto uma saída pessoal quanto uma plataforma de lançamento para a autoexpressão dos outros.”, afirma Leul, em entrevista ao ElseWhere .

A arte digital de Leul encontra na tecnologia, no design, a resposta para a complexidade do retrato social, a representação do sonho e imaginação sobre pessoas, lugares e acontecimentos africanos na contemporaneidade.

“No meu trabalho, combino tecnologia contemporânea real com elementos futuristas, destacando como a tecnologia está a remodelar as sociedades africanas, ao mesmo tempo que enfatizo a força duradoura das nossas comunidades. Exploro continuamente novas ferramentas digitais para aprimorar minha arte e expandir as possibilidades das visões que crio. Além disso, aspiro não apenas integrar a tecnologia na minha arte, mas também criar experiências afrofuturistas imersivas através de AR, VR e 3D. Em última análise, esperamos desencadear discussões sobre a fusão elegante da tecnologia moderna e da tradição em África.”.

Se é na tecnologia que o artista encontra as ferramentas do seu trabalho criativo, é na tecnologia que também se expandiu para um mercado global, com um número de vendas que surpreendeu o próprio, através das NFT, as criptomoedas, que quando se trata de negócio da arte também já apelidadas criptoarte.

É que num mundo em que as novas linguagens artísticas por vezes encontram pouca receptividade por parte dos espaços tradicionais de arte, a internet pode ser esse lugar de exposição e expansão. Leul fala desse processo como uma verdadeira surpresa, por permitir um contacto directo com coleccionadores.

O exemplo disso é a colecção Afromask que lançou em 2021 que teve uma aceitação desse mercado, tendo explicado o impacto desse importante passo na sua carreira.

“Em 2021, lancei o meu grande projecto, Afromask , composto por 101 máscaras digitais africanas reinventadas. Quando todas as peças se esgotaram em duas horas, isso me convenceu a me comprometer com a vida como artista NFT. Comecei a criar mais trabalhos, a me envolver activamente na comunidade, deixei o meu trabalho diário para fundar um estúdio de arte digital. Minha experiência mostra que os NFTs oferecem oportunidades incomparáveis ​​para os artistas controlarem seu trabalho e suas carreiras. Embora inicialmente seja difícil aprender, os NFTs me permitiram fazer uma transição bem-sucedida para a vida como artista em tempo integral.” Assim se faz o diálogo entre a tecnologia e a arte, não só a permitir novas e diferentes linguagens, mas também o acesso a outras criações e a artistas que se encontram distantes dos principais mercados de arte, como é o caso de Fanuel Leul, cuja carreira está num processo avançado de maturação globalmente.

Artigo por

Edson Mandlate

Abril 23, 2024

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