O artista sul-africano Zayaan Khan vai apresentar a instalação “O Cemitério Pan-Africano”, durante a 9.ª edição do Maputo Fast Forward (MFF), que decorre de 23 de Outubro a 1 de Novembro, em Maputo.
A obra integra a programação da bienal, este ano subordinada ao tema “Realidades Artificiais: O Espelho do Infinito”, e propõe uma reflexão sobre o pan-africanismo, a memória e as fronteiras que continuam a organizar o continente.
Na instalação, Khan imagina um cemitério onde são reunidos líderes, pensadores, artistas, activistas e combatentes pela liberdade africanos. O espaço é construído com alimentos como massa folhada, bolinhos de manteiga, bolachas esmagadas, ervas aromáticas, flores, frutos e sementes. As lápides assumem a forma de monumentos comestíveis, enquanto os caminhos são feitos de migalhas.
Segundo a proposta do artista, a alimentação constitui também uma forma de pensar a memória, a migração, a terra, o trabalho e a pertença. As superfícies espelhadas ampliam a paisagem e reflectem os visitantes, integrando-os no espaço da instalação.
A obra parte de uma questão sobre o estado actual do pan-africanismo, num contexto marcado pela xenofobia e pela afrofobia. Ao mesmo tempo, questiona o que aconteceu aos ideais de liberdade, autodeterminação e ligação entre os povos africanos defendidos por gerações de lutadores pela independência.