“Menino, não fala política”: Luís Santos reflecte o caos em exposição na Cidade do Cabo 

Trabalhando com uma variedade de materiais, incluindo cerâmica, madeira, aço e papel, o escultor moçambicano Luís Santos criou um novo conjunto de obras para a sua primeira exposição individual na África do Sul, intitulada “menino, não fala política”. A frase foi retirada de uma canção famosa de Waldemar Bastos e Dulce Pontes intitulada «Velha Xica». A instrução é usada ironicamente pelo artista para representar o panorama político moçambicano e a agitação civil por ele provocada.

A exposição individual patente na Galeria Reservoir, apresenta obras organizadas em quatro elementos: pés de cerâmica esmaltada, esculturas de dedos das mãos e dos pés, bancos de madeira feitos à mão, painéis de ferro enferrujado com fios e papel. Esses elementos são continuações de um conjunto de símbolos desenvolvidos pelo artista ao longo dos últimos anos.

A obra central da exposição, demonstração (2025), é uma instalação em grande escala composta por 51 pés de cerâmica vidrada, feitos de argila fluvial da província de Maputo. Todas as 51 esculturas são pés esquerdos, modelados para dar a impressão de movimento. A quantidade refere-se ao artigo 51.º da Constituição da República de Moçambique (CRM): «Todos os cidadãos têm direito à liberdade de reunião e manifestação, nos termos da lei.»

Esta conotação de esquerda — sem distinção de sexo — indica movimentos populares inspirados por ideais esquerdistas, a ideia do poder do povo ou do povo no poder. Em algumas esculturas, as solas são reveladas e, por não serem esmaltadas, transmitem uma sensação de vulnerabilidade.

Escrito por: Eduardo Quive

 

Artigo por

Elisa Chauque

Novembro 10, 2025

Artigos relacionados

Moçambique marca presença na 15.ª Bienal Africana de Fotografia de Bamako

Vasco Mahumane transforma herança cultural moçambicana em fontes tipográficas

Artistas africanos destacam-se na 36.ª Bienal de São Paulo 2026

“Sem respeito, a humanidade perde o seu futuro”, avisa filósofo Byung-Chul Han em novo livro

Nova biblioteca de Luanda: arquitectura pensada para o clima, a natureza e o conhecimento

Exposição em Lisboa revisita arquivos coloniais e desafia novas leituras sobre a memória africana

Bienal de Fotografia de Bamako aposta na reinvenção das narrativas africanas

Leonardo Sitoe explora memória e pertença em nova exposição em Joanesburgo