Trabalhando com uma variedade de materiais, incluindo cerâmica, madeira, aço e papel, o escultor moçambicano Luís Santos criou um novo conjunto de obras para a sua primeira exposição individual na África do Sul, intitulada “menino, não fala política”. A frase foi retirada de uma canção famosa de Waldemar Bastos e Dulce Pontes intitulada «Velha Xica». A instrução é usada ironicamente pelo artista para representar o panorama político moçambicano e a agitação civil por ele provocada.
A exposição individual patente na Galeria Reservoir, apresenta obras organizadas em quatro elementos: pés de cerâmica esmaltada, esculturas de dedos das mãos e dos pés, bancos de madeira feitos à mão, painéis de ferro enferrujado com fios e papel. Esses elementos são continuações de um conjunto de símbolos desenvolvidos pelo artista ao longo dos últimos anos.

A obra central da exposição, demonstração (2025), é uma instalação em grande escala composta por 51 pés de cerâmica vidrada, feitos de argila fluvial da província de Maputo. Todas as 51 esculturas são pés esquerdos, modelados para dar a impressão de movimento. A quantidade refere-se ao artigo 51.º da Constituição da República de Moçambique (CRM): «Todos os cidadãos têm direito à liberdade de reunião e manifestação, nos termos da lei.»
Esta conotação de esquerda — sem distinção de sexo — indica movimentos populares inspirados por ideais esquerdistas, a ideia do poder do povo ou do povo no poder. Em algumas esculturas, as solas são reveladas e, por não serem esmaltadas, transmitem uma sensação de vulnerabilidade.

Escrito por: Eduardo Quive