A instalação “Cartografias aéreas: territórios em dissolução”, da artista Dilayla Romeo, será apresentada na edição 2026 da Bienal Maputo Fast Forward (MFF). A obra parte de uma reflexão sobre a cartografia enquanto construção humana e forma de imaginar, organizar e fixar o mundo a partir de uma determinada posição.
O projecto revisita criticamente a forma como o continente africano foi historicamente representado através de processos cartográficos produzidos à distância e influenciados por interesses políticos e coloniais. Segundo a proposta da artista, mapas apresentados como representações objectivas e neutras contribuíram para transformar territórios complexos em superfícies fragmentadas, legíveis e governáveis.
A partir de uma posição diaspórica entre Moçambique e Espanha, Romeo desloca esta perspectiva para o território europeu, particularmente para Espanha, numa inversão do gesto cartográfico. A intenção é evidenciar que as representações territoriais são construídas, situadas e condicionadas pelo olhar de quem as produz.
As obras recorrem a técnicas como batik, utilizando cera, farinha e pasta de arroz, e cianotipia, processos que introduzem variação, filtragem e instabilidade nas imagens. Com isso, fronteiras e estruturas geográficas surgem em dissolução, questionando a ideia de mapas e territórios como realidades fixas e definitivas.
Em diálogo com o tema do MFF 2026, “Realidades Artificiais: O Espelho Infinito”, a instalação propõe ainda pensar a imagem como dispositivo de produção da realidade, contrapondo formas contemporâneas de representação, como satélites, sistemas de dados e infra-estruturas algorítmicas, a outras possibilidades de imaginar o território.