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Especialistas reflectem sobre custos ambientais da tecnologia digital

O impacto das tecnologias digitais na crise climática e os desafios de uma transição ecológica justa estarão no centro do terceiro painel principal do Maputo Fast Forward Festival (MFF), intitulado “Espelho ecológico: reflectir futuros digitais habitáveis”, marcado para o final da tarde de 29 de Outubro, na Torre JFS, na baixa de Maputo.

A sessão dará continuidade ao debate sobre o “Espelho Político”, realizado no dia anterior, propondo uma reflexão sobre a relação entre tecnologia, exploração de recursos naturais, governação e sustentabilidade, com particular atenção aos desafios enfrentados pelos países do Sul global.

Entre os participantes está Fadhel Kaboub, economista tunisino e presidente do Global Institute for Sustainable Prosperity, cuja investigação incide sobre financiamento climático, transição justa e soberania económica. O painel contará também com João Camargo, activista português do movimento Climáximo e autor do Manual de Luta Contra as Alterações Climáticas, que questiona os custos ambientais dos actuais modelos de desenvolvimento tecnológico.

Camargo alerta, em artigo no Expresso sobre a forma “catastrófica” que escala a aposta na Inteligência Artificial. “Os modelos de linguagem não vão acabar com a Humanidade nem substituir tarefas essenciais das sociedades e acabar com trabalho inútil. Estão na verdade a criar trabalho precário, mal pago e escondido, entre outros”, escreveu.

A perspectiva moçambicana será representada por Fátima Mimbire, activista e jornalista dedicada à fiscalização dos recursos públicos, e Isildo Nhantumbo, académico e investigador em meio ambiente.

A moderação estará a cargo de Erika Mendes, da organização Justiça Ambiental, que trabalha nas áreas de responsabilização empresarial e direitos humanos.

Integrada na nona edição do MFF, que decorre de 23 de Outubro a 1 de Novembro, em Maputo, a conversa procura questionar se a inovação digital contribui efectivamente para futuros sustentáveis ou se reproduz modelos de exploração que agravam a crise climática e transferem os seus custos para as comunidades mais vulneráveis.

Artigo por

Elisa Chauque

Outubro 19, 2026

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