Os artistas africanos voltam a afirmar-se como algumas das vozes mais marcantes da arte contemporânea na 36.ª Bienal de São Paulo, cuja programação internacional decorre até 6 de Dezembro de 2026, reunindo criadores que desafiam as fronteiras da identidade, da memória e da condição humana.
Sob o título “Nem todos os viajantes percorrem estradas – da humanidade como prática”, a Bienal, com curadoria de Bonaventure Soh Bejeng Ndikung e André Pitol, propõe uma reflexão sobre a humanidade não como uma identidade fixa, mas como uma prática construída através do cuidado, da solidariedade, da memória e da responsabilidade colectiva. A exposição reúne artistas de diferentes geografias que exploram questões de migração, colonialismo, deslocação, justiça e convivência.
Entre os nomes africanos em destaque figuram a nigeriana Otobong Nkanga, o fotógrafo sul-africano Ernest Cole, a artista de origem serraleonesa Adama Delphine Fawundu, o zimbabweano Moffat Takadiwa, a malgaxe Richianny Ratovo e o franco-argelino Kader Attia. As suas obras recorrem à fotografia, instalação, cinema, têxteis e práticas de arquivo para revisitar histórias individuais e colectivas, propondo novas formas de pensar o presente e o futuro, de acordo com a revista a Africa Art News que faz uma incursão pelos exposições.
Para quem pretende aprofundar o contacto com a produção artística africana durante a visita a São Paulo, merecem igualmente destaque instituições como o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, referência na arte e cultura afro-brasileira, a Pinacoteca de São Paulo, que tem integrado artistas africanos nas suas exposições, e o Sesc Pompeia, frequentemente palco de mostras dedicadas à arte contemporânea africana e da diáspora.
A 36.ª Bienal reafirma, assim, a crescente centralidade das perspectivas africanas no debate artístico internacional, colocando o continente entre os protagonistas da reflexão sobre os desafios da humanidade contemporânea.