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“A digitalização do mundo em que vivemos avança de forma inexorável. Submete a nossa percepção, a nossa relação com o mundo e a nossa vida em comum a uma transformação radical.”– Byung-Chul Han
“Hoje, a lógica informática e algorítmica condiciona a maneira como percepcionamos o mundo. (..:)Não é por isso excessivo considerar que, entre o humano e o tecnológico, está em marcha uma redistribuição de poderes, no sentido em que as tecnologias têm cada vez mais a adjudicar para si mesmas um destino teleonómico independente” – Achille Mbembe
Vivemos num tempo em que a tecnologia deixou de ser apenas um conjunto de ferramentas para se tornar um ambiente que estrutura as nossas vidas. Como observa Yuval Noah Harari, a inteligência artificial não é apenas uma ferramenta, mas um agente capaz de tomar decisões que podem escapar ao controlo humano. Achille Mbembe, por sua vez, chama a atenção para a emergência de uma civilização computacional-digital, onde tecnologia e espaço se entrelaçam e onde se torna cada vez mais difícil distinguir o artificial, o sintético e o vivo.
Algoritmos, plataformas digitais e sistemas de inteligência artificial atravessam hoje a economia, a política, o trabalho, a cultura, os corpos, as relações sociais e a nossa relação com a Terra. Estas tecnologias apresentam um enorme potencial: podem contribuir para diagnósticos e cuidados de saúde mais precisos, aprendizagens mais inclusivas, investigação científica, agricultura sustentável, inovação económica e melhor gestão dos recursos e dos riscos ambientais.
Contudo, estes benefícios não são automáticos nem neutros. Dependem de quem concebe, controla e utiliza estas tecnologias, bem como de quem delas beneficia ou é excluído. Sem uma orientação ética e inclusiva, a tecnologia pode reproduzir e aprofundar desigualdades, criar novas formas de exclusão e exploração e agravar os impactos ecológicos associados às infraestruturas digitais.
Ao mesmo tempo, as tecnologias digitais podem vigiar, classificar e influenciar comportamentos, através da recolha de dados, da personalização algorítmica, das dark ads e dos chatbots. Num ecossistema dominado pela economia da atenção, a desinformação, a polarização e os discursos de ódio podem ser amplificados, enquanto os algoritmos influenciam aquilo que vemos, valorizamos e discutimos, com consequências para a democracia, os processos eleitorais e as identidades colectivas.
A automação e as plataformas digitais também transformam o mundo do trabalho, criando novas oportunidades, mas igualmente formas de precarização e exploração. Estas transformações são marcadas por profundas assimetrias globais. Países do Sul Global permanecem frequentemente como consumidores de tecnologia e fornecedores de dados, enquanto o controlo das plataformas, infraestruturas e principais fluxos de valor se concentra no Norte Global. Esta dinâmica, associada ao conceito de “tecnofeudalismo” de Yanis Varoufakis, pode reforçar dependências económicas, tecnológicas e culturais de origem colonial.
É neste contexto que a Conferência MFF 2026 — Artificial Realities: Infinite Mirror se propõe como espaço de reflexão crítica e plural sobre os impactos, riscos, limites e possibilidades da inteligência artificial e das novas tecnologias. A partir de perspectivas africanas, críticas, decoloniais e feministas, em diálogo com experiências globais, a conferência procura questionar as relações entre tecnologia, soberania, ecologia, artes, democracia e justiça.
Mais do que pensar África como receptora de tecnologias, a MFF 2026 pretende afirmá-la como espaço de produção de conhecimento, criatividade e imaginação, contribuindo para a construção colectiva de futuros mais justos, equitativos, sustentáveis e pacíficos — futuros que coloquem a vida, a dignidade humana e o bem comum no centro.
À medida que a inteligência artificial e os sistemas digitais passam a estruturar cada vez mais dimensões da vida pública e privada,da informação que consumimos às decisões institucionais que moldam economias, políticas e relações sociais torna-se urgente interrogar quem concebe, controla e beneficia destas infra-estruturas digitais. Este painel de abertura propõe uma reflexão crítica e ampla sobre o “planeta digital” que habitamos hoje: um território invisível de dados, códigos, algoritmos e plataformas que reorganiza poder, conhecimento e formas de governação.
Esta conversa de abertura, pretende abrir uma reflexão sobre como os sistemas de inteligência artificial, os dados massivos e as plataformas digitais moldam percepções, decisões e hierarquias sociais, influenciando profundamente a forma como o mundo é interpretado, governado e vivido. Quais os riscos éticos e políticos da automação: da inteligência virtual, da vigilância digital, classificação e monitorização de corpos, formas de discriminação algorítmica, exclusão digital e formas emergentes de colonialismo de dados, muitas vezes mascarados por discursos de neutralidade tecnológica, inovação e eficiência?
Num contexto global marcado por conflitos armados crescentes e novas formas de guerra, a reflexão sobre o papel crescente da inteligência artificial na militarização das sociedades e como campos de disputa geopolítica é também importante. A IA não apenas redefine as formas de combate, mas também quem pode viver, quem pode morrer e sob que condições. Neste sentido, os algoritmos tornam-se dispositivos de selecção, classificação e exclusão, prolongando lógicas históricas de dominação, racialização e controlo, agora reconfiguradas em códigos e sistemas digitais.
Ao mesmo tempo, o painel abre espaço para imaginar outras possibilidades mais éticas e justas para o futuro tecnológico. Como podem as sociedades regular e orientar o desenvolvimento da inteligência artificial de forma democrática, justa e responsável? Que papel podem desempenhar epistemologias do Sul, perspectivas feministas e abordagens decoloniais na construção de sistemas tecnológicos mais equitativos? E que caminhos existem para fortalecer soberania tecnológica, transparência algorítmica, governação pública dos dados e ética na programação das máquinas? Mas sobretudo onde se situa o continente Africano nestes debates?
Entre riscos e possibilidades, perspectivas cautelosas e optimistas, esta conversa convida a repensar as novas tecnologias, e a inteligência artificial em particular, não apenas como inovações técnicas, mas como um campo político e civilizacional, onde se decidem que futuros reais – virtuais serão possíveis , e para quem.
Palavras-chave: ética da inteligência artificial · poder algorítmico · colonialismo de dados · soberania tecnológica · regulação digital · decolonialidade· tecnologia e democracia . tecnologia e poder
ORADORES: Wakanyi Hoffman (KE), Mia Couto (MZ)
MODERADOR: Severino Ngoenha (MZ)
Este painel analisa a erosão da democracia e a expansão de regimes autoritários à luz do impacto político da inteligência artificial e das plataformas digitais. Reflectindo sobre como a democracia tem sido “hackeada”, por estas tecnologias que são mobilizadas para manipular processos eleitorais, normalizar a repressão e controlar a circulação da informação. Um poder hoje concentrado em grandes empresas tecnológicas que, através do controlo de infra-estruturas digitais, dados e algoritmos tem o potencial de moldar o debate público, influenciar governos, determinar regulações internacionais e privilegiar os seus interesses privados.
Neste ecossistema digital dominado pela economia da atenção, a desinformação através de deepfakes e bots esbatem a fronteira entre o real e o fícticio, fragilizando o debate democrático e desafiando a verdade. Este colapso da verdade opera de forma desigual: mulheres e pessoas LGBTQIA+ são alvos preferenciais de discursos de ódio, assédio e violência algorítmica, numa dinâmica em que algoritmos e métricas de visibilidade redefinem quem fala, quem é ouvido e quem participa no espaço público digital.
Ao mesmo tempo, o painel procura olhar para as formas emergentes de resistência e reinvenção da acção política no ambiente digital, incluindo o activismo em rede, os protestos da Geração Z, novas formas de solidariedades digitais e as disputas pelo espaço público enquanto território de visibilidade, mobilização e imaginação democrática. Entre controlo algorítmico e acção colectiva, interrogam-se os limites e as possibilidades da democracia em tempos de inteligência artificial e formas renovadas de imperialismo.
Palavras-chave: Democracia · imperialismos · autoritarismos contemporâneos · vigilância e controlo · eleições e manipulação informação –. Pós-verdade ·desinformação. violência algorítmica · género e poder · juventudes e protestos · activismo em rede · direitos digitais · espaço público digital
ORADORES: Dércio Tsandzana (MZ), Carlos Mabutana (MZ), Quitéria Guirengane (MZ)
MODERADORA: Géssica Macamo (MZ)
Este painel examina o impacto ecológico da inteligência artificial e das novas tecnologias digitais, trazendo para o centro do debate os custos ambientais frequentemente invisibilizados da digitalização, desde o consumo energético e a extração massiva e desenfreada de minerais críticos até às infraestruturas de dados e aos resíduos eletrónicos e tecnológicos. Mostrando que a existência do “virtual” e do “digital” dependem de uma materialidade que representa em grande medida a degradação do Planeta Terra. Em particular, pretende trazer uma reflexão sobre o que isto significa para a realidade africana, considerando que quase um terço dos minerais críticos do mundo, indispensáveis à economia digital e à inteligência artificial, encontram-se no continente. O debate procura ainda questionar abordagens tecnocráticas que tendem a reduzir ecossistemas vivos a conjuntos de dados abstractos, interrogando os limites dessas soluções quando desconectadas de contextos sociais, políticos e ecológicos específicos.
Em paralelo, o painel cria espaço para reflectir sobre as formas pelas quais estas tecnologias estão a ser mobilizadas para responder à crise climática, através de modelos de simulação, sistemas de previsão e tecnologias de monitoria ambiental, ao mesmo tempo que procura compreender os potenciais impactos positivos das tecnologias digitais nos processos de planeamento territorial, na gestão de recursos naturais, na organização do espaço e na conservação da biodiversidade, particularmente em contextos marcados por profundas desigualdades sociais e ambientais.
Entre algoritmos e ecossistemas, este painel propõe uma reflexão crítica sobre como orientar as tecnologias digitais para apoiar futuros climáticos mais ecológicos e habitáveis, convocando simultaneamente outras inteligências e epistemologias enraizadas na ancestralidade, para repensar um futuro que sustente a Vida planetária.
Palavras-chave: Crise climática · impacto ambiental da IA · infra-estruturas digitais · extração de minerais · resíduos electrónicos · ecologia política · tecnosoluções · justiça climática e ambiental · dados ambientais · planeamento territorial · desigualdades socioambientais · futuros habitáveis
ORADORES: Fadhel Kaboub (TNS/EUA), Fátima Mimbire (MZ), João Camargo (PT),
Isildo Nhantumbo (MZ)
MODERADORA: Erika Mendes (MZ)
Este painel propõe uma reflexão aprofundada sobre as transformações estruturais que as novas tecnologias digitais, incluindo a inteligência artificial, as plataformas, os algoritmos e os sistemas generativos, introduzem nos processos de criação artística, na circulação cultural e na produção de valor simbólico.
Questões centrais como autoria, copyright, direitos conexos, uso de obras artísticas no treino de sistemas algorítmicos e remuneração justa dos criadores ocupam o centro do debate, evidenciando tensões persistentes entre inovação tecnológica, direitos culturais e implicações filosóficas e políticas. O que significa autoria num contexto de co-criação humano–algoritmo? Como se transforma a noção de originalidade, de obra e de gesto criativo? Que regimes de visibilidade, legitimação e consagração artística emergem quando algoritmos passam a decidir o que circula, o que é valorizado e o que permanece invisível?
Ao mesmo tempo, o painel invoca a arte como um campo activo de resistência e imaginação crítica. Artistas, colectivos e práticas experimentais recorrem às tecnologias digitais e possibilidades com Realidade Estendida (XR), para subverter lógicas extractivas e propor novas formas de relação entre criação, tecnologia e bem comum. Entre apropriação e emancipação, este painel convida a pensar a arte não apenas como objecto afectado pela tecnologia, mas como força activa na reconfiguração dos futuros digitais.
Palavras-chave: Arte e tecnologia · inteligência artificial generativa · autoria · copyright · direitos culturais · plataformas digitais · economia criativa · estética algorítmica · ética da criação · filosofia da técnica · resistência artística. realidade Estendida
ORADORES: Tegan Bristow (ZA), Russel Hlongwane (ZA), Valério Lopes (Lux / CPV)
Yara Costa Pereira (MZ)
MODERADOR: Eduardo Quive (MZ)
Um ritual de resistência a pé que nos aguça os sentidos através da prática de perceber, relacionar-se e responder aos seres vivos e às realidades negligenciadas de Maputo. Espere encontrar elementos fúngicos. Será interativo e performativo; racional e irracional; lúdico e poético; sério e divertido. Faremos coisas que os computadores não conseguem fazer e sentiremos em paisagens que se estendem para além do alcance dos algoritmos. Talvez, quem sabe, encontremos uma forma de transformar os padrões coloniais em práticas rizomáticas e inconformistas?
PARTICIPANTES: anna nordahl carlsen (NOR) e amigos fúngicos
Uma nova geração de artistas digitais convida-nos a dar um passo para o lado e a observar o nosso mundo digital com um olhar crítico.
Como divulgar fisicamente a um público alargado o imaginário e o espírito crítico desta nova cena através da organização de eventos culturais: exposições, festivais, performances e workshops?
Exemplo disso é “Escape, gerações digitais”*, uma exposição concebida para proporcionar uma melhor compreensão das diversas culturas digitais globais. Consciencializa-nos para o uso quotidiano das tecnologias digitais e as suas repercussões nas nossas vidas e no meio ambiente. Além disso, os visitantes partilham experiências de outros eventos, passados, presentes e futuros.
PARTICIPANTES: Eric Boulo (FR), Antonin Fourneau (FR)
Como transformar o talento criativo africano numa indústria sustentável? Representantes da BD-PALOP, FX Animation Studios, ANIMA, Iuri Chitará e Tshimologong Team partilham experiências sobre os desafios da banda desenhada, animação e gaming em África, explorando oportunidades de formação, financiamento, colaboração e circulação de narrativas visuais que reflectem os imaginários e as realidades do continente.
A educação encontra-se no centro de uma transformação estrutural. A inteligência artificial, as plataformas digitais e a automatização cognitiva estão a reconfigurar não apenas os métodos pedagógicos, mas a própria arquitectura do conhecimento: abrem possibilidades de democratizar o saber, expandir pedagogias inclusivas e ligar saberes globais e locais, ao mesmo tempo que plataformas, redes sociais e sistemas de IA competem com professores, bibliotecas e currículos como mediadores do saber — e, muitas vezes, os substituem.
O que significa aprender quando as respostas são instantâneas e é cada vez mais difícil distinguir a produção humana da algorítmica? Que competências continuarão a ser centrais? E, no contexto africano, como evitar que o acesso desigual às infra-estruturas digitais aprofunde a exclusão educativa e que a IA silencie saberes locais, oralidades e línguas africanas? Mais do que uma revolução tecnológica, vivemos uma transformação epistemológica: esta roda é um convite a pensar o futuro da Educação.
PARTICIPANTES: Nuno Soares (MZ), Girl Move Academy (MZ), EduGame (NB)
MODERADOR: João Graça (MZ)
A intervenção utiliza a metodologia de investigação artística do projeto Ifu Elimnyama para demonstrar os limites e as oportunidades apresentados pelo trabalho conjunto entre os sistemas de conhecimento locais e importados. A intervenção procura questionar como é que os profissionais em Moçambique operam sistemas de conhecimento locais e globalizados. Além disso, questiona como é que as estruturas de conhecimento podem transitar entre localidades da África Austral.
FACILITADOR: Russel Hlongwane (ZA)
Como podemos continuar os nossas legados partindo das nossas culturas? Neste “learning circle” de Africologia Aplicada, Val Lopes propõe um encontro entre narrativas africanas e tecnologia.
A sessão inclui a exibição do filme The Africologist: Chronicles of Africa (72 minutos), seguida de uma oficina participativa. A partir do filme e da partilha do seu processo criativo, Valério convida os participantes a explorar o impacto da inteligência artificial nas culturas africanas e as possibilidades de criação com tecnologias digitais.
A componente prática combina conversa, um exercício de construção de narrativas e experiências interactivas: um jogo educativo inspirado no Sona de Angola, um djembé interactivo e um robô Unitree Go2 modificado. Estes elementos permitem explorar a passagem do cinema para outras formas de expressão artística.
O encontro convida-nos a imaginar novas formas de contar histórias, colocando os conhecimentos e as referências africanas no centro do processo criativo e da relação com a tecnologia.
FACILITADOR: Valério Lopes (LUX/ CPV)
Uma introdução à minha investigação e prática: vinte e cinco anos a trabalhar com obsolescência, desde ficheiros corrompidos a placas de circuito impresso destruídas. O que é o lixo eletrónico, para onde vai, quem o destrói e em que condições. Isto levanta a questão central da semana: o lixo é um problema a gerir ou um material a trabalhar?
FACILITADOR: Benjamin Gaulon (FR)
Longe de serem neutros, os sistemas de IA são construídos a partir de dados e modelos que incorporam preconceitos existentes na sociedade. Esta roda analisa como a inteligência artificial e as plataformas digitais podem amplificar a misoginia e a violência digital — assédio online, manipulação de imagens, exclusão em sistemas automatizados de decisão e reprodução de estereótipos de género —, discutindo também o impacto positivo que a IA pode ter na participação das mulheres na vida pública, na economia digital e na produção de conhecimento.
A conversa explora abordagens feministas e interseccionais para o desenho e a regulação de tecnologias mais justas e inclusivas: quem constrói as tecnologias do futuro, que valores nelas se inscrevem, e como garantir que a inovação contribua para sociedades mais equitativas?
PARTICIPANTES: Sandra Manuel (MZ), Girl Move Academy (MZ)
MODERADORA: Lara Longle (PT)
Uma introdução à minha investigação e prática: vinte e cinco anos a trabalhar com obsolescência, desde ficheiros corrompidos a placas de circuito impresso destruídas. O que é o lixo eletrónico, para onde vai, quem o destrói e em que condições. Isto levanta a questão central da semana: o lixo é um problema a gerir ou um material a trabalhar?
FACILITADOR: Benjamin Gaulon (FR)
A automatização, a inteligência artificial e as economias de plataforma estão a reconfigurar profundamente o mercado de trabalho, fragmentando o emprego tradicional e multiplicando formas híbridas de rendimento. Para muitas juventudes africanas, num contexto de desemprego estrutural e informalidade, estas transformações permitem contornar barreiras históricas: criar trabalho próprio, aceder a mercados globais e aprender de forma autónoma. Mas o trabalho torna-se também mais instável, menos protegido e mais dependente de plataformas que concentram poder, persistindo desigualdades profundas no acesso à tecnologia, à conectividade e à formação.
Entre inovação e precariedade, entre o formal e o informal, a Geração Z está a experimentar e a redefinir o que significa trabalhar. Esta roda convida a olhar para esta transição: que futuro do trabalho está a emergir, e para quem? Como transformar inovação em inclusão?
PARTICIPANTES: Belchior Canivete (ARPAC), Dércio Tsandzana (AFRAMO-CHS), Aurélio Furdela (MZ)
MODERADORA: Uacitissa Mandamule (MZ)
7º Andar
Saberes questiona o uso da IA na pesquisa, desde a consulta de arquivos e o trabalho de campo até à análise e escrita, explorando questões de fiabilidade, enviesamento, memória, ética e preservação do papel crítico do investigador.
Hoje sabemos onde está um elefante porque um colar GPS o diz. Contamos baleias com sonar e identificamos caçadores furtivos com ciência forense. A natureza que vemos é cada vez mais uma natureza mediada pela tecnologia. Nesta Roda de Saber, a Kambaku leva o “Espelho Infinito” do MFF para dentro dos ecossistemas moçambicanos. Biólogos, veterinários, gestores de áreas de conservação, educadores e público sentam-se no mesmo círculo para perguntar: se a tecnologia nos dá um espelho da natureza, quem segura esse espelho? Falamos de como sensores, dados e IA ajudam a proteger a fauna e a gerir o conflito homem-animal com poucos recursos. Falamos também do que fica de fora dos dados e do custo ambiental do digital. E falamos do encontro entre o saber técnico e o saber comunitário de quem vive com a fauna. A sessão termina com um brinde aos dois anos da Kambaku.
FACILITADORES: Kambaku (MZ)
7º Andar
Quem tem autoridade para falar sobre design e que vozes ficam de fora? Partindo do trabalho de Eva Gonçalves com a “O.K. K.O.” e da experiência da Ellipsis Open School, esta roda propõe uma reflexão colectiva sobre diversidade, crítica e educação no design. Em diálogo com a designer Júlia Sarmento e os participantes, explora como ampliar perspectivas e integrar experiências e realidades moçambicanas no discurso internacional.
FACILITADORA: Eva Gonçalves (PT) e Julia Sarmento (MZ)
E se a forma como compreendemos os materiais fosse moldada pelos sistemas de conhecimento a partir dos quais eles emergem?
Futuros Ancestrais no Design: Tecidos de Cura é um Learning Circle que explora os sistemas de conhecimento indígena como fontes de inovação no design têxtil e como possibilidades para repensar a relação entre matéria, corpo, terra e espírito.
A partir da investigação da Karingana sobre plantas indígenas de Moçambique, corantes naturais, símbolos ancestrais e práticas têxteis ligadas à protecção, ao bem estar e ao ritual quotidiano, propomos uma reflexão sobre a ontologia dos materiais: o que é um material, o que carrega e que relações e conhecimentos podem existir dentro dele.
Uma planta pode ser simultaneamente medicina, cor, fibra, alimento, território, memória e conhecimento. Da mesma forma, um tecido pode ser mais do que um objecto que vestimos. Pode ser memória, linguagem, protecção, ritual, ligação a um lugar ou portal entre o visível e o invisível.
Neste Learning Circle, exploramos a cosmologia dos materiais e perguntamos o que pode acontecer quando formas indígenas de conhecer e compreender o mundo passam a informar a maneira como imaginamos e desenhamos o futuro.
PARTICIPANTES: Karingana wa Karingana (MZ)
Um encontro que reúne participantes de Madagáscar, Maurícias, África do Sul e Moçambique para partilhar experiências, discutir os desafios e as oportunidades da animação e reflectir sobre o futuro do sector na região. Com a participação de três moçambicanos que estiveram recentemente na formação da Fak’ugesi, o evento promove o intercâmbio de conhecimentos, a criatividade e a colaboração entre artistas e profissionais da animação africana.
PARTICIPANTES: FX Animation Studios (MZ)
7º Andar
Como podem os hubs criativos independentes fortalecer os ecossistemas culturais e digitais em África? Representantes de diferentes contextos partilham experiências sobre sustentabilidade, financiamento, formação e colaboração, explorando o papel destes espaços na capacitação de talentos, na experimentação e na criação de redes que conectam comunidades locais a oportunidades internacionais.
PARTICIPANTES: Elodie Finel (FR) , Ingrid Kopp (ZA), Evaristo Abreu (MZ),
Diogo Donato (MZ), Fak’ugesi (ZA), Tshimologong (ZA)
Bokani Dyer apresenta Traditions, o seu novo álbum, num concerto ao vivo na Sala Grande do CCFM, integrado na programação do Maputo Fast Forward 2026.
Neste projecto, o pianista e compositor sul-africano revisita referências musicais que marcaram o seu percurso, reinterpretando temas já existentes através da formação de trio de piano e conferindo-lhes novas sonoridades e leituras a partir de uma abordagem contemporânea.
Bilhetes: 800 MT (normal) | 700 MT (Clube Cultural) | 300 MT (estudantes, para os primeiros 50 bilhetes físicos).
Venda física: CCFM, a partir de 28 de Outubro, das 9h00 às 14h00 e das 15h00 às 18h00.
Bilhetes disponíveis online através da Tabater.mz.
Vem descobrir Traditions ao vivo e desfrutar de uma experiência musical que cruza memória, tradição e inovação.
Facilitador:
Benjamin Gaulon (FR)
Artista:
Gerson Mbalango (MZ)
TradiMensional é um projecto artístico multidisciplinar de
Gerson Mbalango que explora a relação entre a Mbira, o sound
design e a saúde mental. A sua construção sonora parte de
depoimentos sobre experiências emocionais e desafios da
saúde mental, transformados em matéria artística através da
experimentação sonora. O resultado é uma experiência
imersiva que convida à escuta profunda, à introspeção e à
reflexão sobre as emoções humanas e os processos de cura.
Artista:
Nuro Sumalgy (MZ)
Uma performance multidisciplinar que cruza teatro, música, movimento, som e imagens digitais para explorar o encontro entre o talento humano e a inteligência artificial. Através de uma narrativa que questiona os limites entre realidade e ilusão, identidade e transformação, o projecto propõe uma experiência artística construída colectivamente, onde o corpo, o som e a tecnologia se complementam. Iniciativa da 16Neto, o New Kids promove o diálogo criativo entre jovens artistas e profissionais experientes, apresentando-se pela terceira vez no Maputo Fast Forward.
Em nenhum lugar do Grande Vale do Rift Africano, onde o Monte Gorongosa capta a humidade costeira, não existe nenhuma fonte de água que sustente o Parque Nacional da Gorongosa e a sua biodiversidade. Seguir a Água acompanha este ciclo ao longo do ano, registando as alterações da paisagem sonora entre a seca e as chuvas. Quando escapa para a abundância, a sua vida é transformada. O nosso projeto permite-nos explorar estes sons ancestrais e reencontrar a ligação entre a natureza, o território e a humanidade.
Artista:
Dércio “Muha” Gomate
Artista: De Shaazia Adam (MZ)
Infinite Garment explora o que acontece à moda quando o corpo se torna uma interface. As roupas sempre comunicaram quem somos. Hoje, a tecnologia começa a fazer o mesmo. Os algoritmos influenciam o que vemos.
A inteligência artificial pode reconstruir os nossos rostos.
As plataformas digitais constroem versões das nossas identidades. As roupas virtuais podem existir sem uma peça física. E, cada vez mais, a distinção entre quem somos, como nos apresentamos e como a tecnologia nos representa torna-se ténue. Se a tecnologia pode criar infinitas versões de nós próprios, qual delas é a real?
Artistas: Beauty Sitoe, Orfélia Nhantuve, Arlete Nhantumbo, Prisca Finasse e Catarina Tembe
Xiluva, o Espelho e o Artifício – é uma performance multidisciplinar que combina teatro, música, movimento e imagens digitais para explorar a relação entre identidade humana e inteligência artificial. Num futuro hiperconectado, Xiluva, uma mulher com deficiência visual, desenvolve uma ligação cada vez mais profunda com a inteligência artificial que a acompanha, levando-a a questionar os limites entre realidade e ilusão, autonomia e dependência, e o desejo de transformar quem somos.
O Invisível explora mundos visíveis e invisíveis através da fotografia, dos materiais naturais, dos têxteis, da luz e do som. Inspirando-se nas cosmologias africanas e nas compreensões espirituais do invisível, a instalação cria uma paisagem imersiva onde as realidades ocultas se tornam espaços para a imaginação, a perceção e a conexão. Através de fotografias aéreas de paisagens, representações fotográficas e mundos espirituais, a obra explora os paralelismos entre o que pode ser visto e o que permanece invisível, convidando-nos a perceber diferentes camadas da realidade e as ligações entre elas.
Baraza é uma experiência imersiva e futurista de realidade virtual com uma duração de 8 a 10 minutos, que se passa em 2050, onde os humanos são julgados por IAs sencientes numa era em que a IA atingiu a singularidade. O participante assume o papel de réu, enfrentando um processo movido por seres artificiais que alegam danos, exploração e violação da dignidade. O tribunal é presidido por Ubuntu-Bot, um juiz de IA generativo construído e inspirado nos sistemas de justiça comunitária africanos, como o Ubuntu, onde a justiça enfatiza a restauração, a responsabilidade colectiva e o diálogo em vez da punição.
Bem-vindo à Igreja.
Em Igreja do Santo Prompt, Adilson De Oliveira interpreta Prompt Jones — pregador, propagandista, herege e profeta pouco fiável da máquina.
Jones acredita que a inteligência artificial pode ser uma resposta aos sistemas de trabalho corruptos que o mundo da arte e a economia em geral passaram séculos a fingir que são inevitáveis: trabalhadores invisíveis, trabalho cultural não remunerado, privilégios herdados, acesso colonial à educação, à produção e ao capital, e a pequena classe dominante que ainda decide quem fala, quem possui, quem lucra e quem desaparece.
Para ele, a máquina carrega uma promessa perigosa. Ela pode destruir habilidades protegidas por classe, geografia e dinheiro. Pode dar às pessoas ferramentas que nunca deveriam ter. Pode ameaçar o sacerdócio da perícia. Pode baralhar as antigas fronteiras entre centro e periferia.
Mas toda a tecnologia libertadora vem com um dono.
Por detrás do milagre, estão corporações, data centers, extração mineral, dados roubados, mão-de-obra barata e mais uma corrida para privatizar o futuro. O império não desapareceu. Adquiriu uma marca melhor.
Prompt Jones sabe disso. Mesmo assim, prega.
A exposição situa-se dentro desta contradição. Será ele um missionário dos direitos civis a defender o acesso à tecnologia como arma para o progresso descolonial, ou simplesmente mais um canalha carismático a transformar a incerteza numa escritura sagrada? Está a tentar distribuir poder ou a construir uma congregação em torno da sua própria certeza? Em que ponto a emancipação se torna evangelismo? Em que ponto é que o sermão se torna a solução mágica?
Através do vídeo, da realidade aumentada, da instalação e da performance, De Oliveira coloca-se em julgamento ao lado da tecnologia que utiliza. Não há aqui tribuna moral. É crente e cético, beneficiário e crítico, pregador e congregação.
A inteligência artificial não inventou a exploração.
Ela retirou o álibi.
O prompt transforma-se em oração. O servidor torna-se altar. O capital é o dono da igreja.
E_s_c_a_p_e_, _gerações digitais_ é uma exposição concebida para proporcionar uma melhor compreensão das diversas culturas digitais globais. Apresenta histórias do passado, presente e futuro das nossas vidas na era digital, através do olhar dos artistas.
Embora se tornem cada vez mais inovadoras, intuitivas e fáceis de utilizar, é essencial compreender plenamente estas tecnologias e mantermo-nos atentos à forma como foram criadas, por quem e com que propósito. Compreender o seu funcionamento, melhorar o nosso pensamento crítico e aprender a utilizá-las é fundamental para que mantenhamos o controlo enquanto utilizadores de ferramentas digitais.
É isto que os artistas e criadores da exposição Escape oferecem através das suas obras e das suas intervenções. Com as suas criações originais, lúdicas, paródicas e por vezes absurdas, uma nova geração de artistas digitais chama a nossa atenção, alertando-nos para os riscos associados a estas ferramentas e consciencializando-nos para a nossa utilização quotidiana das tecnologias digitais e as suas repercussões nas nossas vidas e no ambiente.
Tal como muitos utilizadores envolvidos que atuam individualmente ou coletivamente, estes artistas utilizam estas poderosas ferramentas para promover a diversidade, defender as minorias ou comunidades locais e fazer com que as suas vozes sejam ouvidas.
“Heróis do Oceano Índico” é uma mini-série documental em 360/XR que sensibiliza para a necessidade de intensificar os esforços na conservação marinha, principalmente através da expansão das Áreas Marinhas Protegidas (AMPs) de não-extracção. A série destaca a importância dos recifes de coral como o coração pulsante do oceano e como as comunidades costeiras dependem fortemente deles para prosperar, permitindo que o ecossistema marinho se desenvolva e que, durante gerações, estas comunidades dependam da pesca e do turismo marítimo.
O jovem uMalanje esfrega o corpo com lama cor de ferrugem. Descalço, entra numa nova esfera, um lugar noutro mundo. As interferências sonoras e o ruído digital acompanham a sua missão. Timidamente, toca nas estruturas metálicas, que jazem empilhadas umas sobre as outras como restos intemporais e sem dono de uma cultura há muito desaparecida. Descobre uma nuvem escura, a Nuvem Negra, uma instância poderosa que foi contaminada. Tanto assim é que a simbiose entre conhecimento e orientação foi quebrada, e Inkanyamba, a serpente mística do céu, já não consegue localizar o seu sinal GPS. Uma voz poderosa que paira sobre o cenário narra esta história. Ela refere-se à soalheira cidade de Mapungubwe, uma metrópole florescente desde 1220 que viria a ruir apenas 70 anos depois. Passo a passo, uMalanje explora este lugar. Ele viajou através do tempo e do espaço para
avisar os habitantes da cidade. Contra a Internet, um poder futurista que pode armazenar conhecimento supostamente livre na nuvem, mas não consegue protegê-lo da corrupção e da monetização. A obra cinematográfica do produtor cultural sul-africano Russell Hlongwane exige muito dos seus espectadores. A narrativa gira em torno de conceitos como Inkanyamba e Mapungubwe, que são centrais na cultura Zulu e na história sul-africana. Existe ainda um glossário sobre a sua obra, composto por vocabulário da cultura Zulu e novas palavras criadas especialmente para este trabalho. A narrativa intemporal, que parece vir igualmente do passado e do presente, é como uma viagem transcendental. Percorremos as tradições religiosas Zulu e deparamo-nos com conceitos contemporâneos de conhecimento digitalizado. Tal como uMalanje, podemos inspirar-nos nesta experiência em que os sistemas globais e temporais parecem obsoletos. Hlongwane não permite uma narrativa dominante. Desafia-nos a compreender o conhecimento independentemente do tempo e do espaço, a questionar a auto-atribuição ocidental da supremacia digital e a recusar a atribuição egocêntrica de competências a culturas específicas.
Baratto & Mouravas participam na presente edição do Maputo Fast Forward Festival no âmbito do programa Uma Ponte Feita de Arte, uma parceria cultural promovida pelo Ministério da Cultura de Itália. A sua contribuição desenrola-se numa oficina e numa instalação resultante, enraizada na sua prática de Arqueodreaming.
Propondo ideias de construção de mundos através de pesquisa multimédia e explorando as tensões entre arqueologia, património e cultura material, a dupla de artistas vai conduzir um workshop que investiga a relação entre a memória pessoal e coletiva, e o papel do passado na imaginação de futuros alternativos. Explorarão as possibilidades do trabalho de campo, constelações colaborativas e narrativa oral para criar uma instalação sonora com altifalantes de cerâmica.
Em colaboração com a artista sonora Nandele, desenvolvem uma coleção de sons, meditações e flutuações da vida em movimento sobre chapas (táxis coletivos). Entrelaçados com memórias, associações e reflexões que emergem no trânsito, estes sons apresentam-se como um mapa invisível da experiência urbana contemporânea, observada através da carrinha de táxi em movimento de Maputo. A investigação é apresentada através de uma instalação com vasos de cerâmica que funcionam como altifalantes, produzidos em colaboração com o ceramista local Faizal Omar Ussuman.
O Cemitério Pan-Africano é uma instalação comestível e uma paisagem imersiva que convida o público a caminhar entre as histórias enterradas da libertação africana. Partindo da questão de como os africanos se passaram a perceber como estrangeiros, a paisagem percorre as contradições do nacionalismo, da libertação e da pertença.
Os visitantes seguem um caminho sinuoso por colinas povoadas pelos túmulos de figuras políticas africanas, antes de descerem em direção a uma paisagem mais escura de sepulturas sem identificação e mortos sem nome. Acima deles, cascatas de laranjas desidratadas criam uma luz solar atmosférica e mutável.
A obra baseia-se em ideias de pan-africanismo, afropolitanismo e necropolítica, questionando o que acontece quando os sonhos de libertação encontram fronteiras, exclusão e violência política.
A instalação convida os visitantes não só a recordar o passado, mas a caminhar por ele, refletindo sobre o que escolhemos enterrar, o que herdámos e quem é recordado.
Num mundo cada vez mais desconectado, sonhar pode ser um dos poucos momentos em que regressamos a nós mesmos e nos entregamos ao conhecimento interior do subconsciente.
Somos Todos Filhos do Espírito convida os visitantes a reconectarem-se com as partes esquecidas da mente, do corpo e da alma, através dos têxteis, dos símbolos e da energia contida em cada espaço. Sonhar é atravessar diferentes universos dentro de nós.
A instalação faz parte da pesquisa contínua da Karingana Wa Karingana sobre Healing Textiles, que explora o têxtil como espaço de memória, conhecimento, cura e transformação.
Concebida como uma sala de sonhos, a instalação organiza-se através dos quatro movimentos do cosmograma Bakongo: concepção e nascimento, maturidade, morte e transformação, retorno e renascimento. Têxteis, plantas, símbolos africanos, cores, texturas e objectos transformam cada parte do espaço numa experiência sensorial distinta. A cor cria atmosferas,
as plantas surgem como presenças vivas e os símbolos inscritos nos têxteis carregam diferentes linguagens e formas de conhecimento.
Os visitantes são convidados a atravessar a instalação, em vez de simplesmente a observar à distância. A experiência é deliberadamente sensorial, atmosférica e aberta, situada entre um sonho, uma paisagem ritual e um arquivo têxtil vivo. Neste espaço, matéria e espírito, ancestralidade e futuro, dissolução e renovação coexistem como partes de um mesmo movimento contínuo.
Uma Ponte Feita de Arte é uma iniciativa de cooperação
cultural que reúne artistas, curadores e estudantes
moçambicanos e italianos durante três semanas de workshops
em Maputo. Com mais de 50 participantes, os temas
abordados foram curadoria, mercado da arte e documentação
de exposições. Mais do que formação, é uma plataforma para a
próxima geração de profissionais culturais moçambicanos. A
mostra que encerra o workshop é feita do posicionamento
artístico de cada participante, formado ao longo destas
semanas e apresentado através dos seus portfólios. Promovido
pelo Ministério da Cultura italiano (Plano Mattei) e pela
Embaixada de Itália em Moçambique.
Durante uma semana, iremos recolher aparelhos eletrónicos avariados e abandonados em Maputo e reconstruí-los numa grande instalação coletiva. Televisores antigos, rádios, leitores de cassetes, colunas de som, projetores, peças de computador, brinquedos eletrónicos, qualquer coisa descartada e indesejada. Nada será corrigido para funcionar como antes. Tudo será religado para ter uma nova função.
Não é necessário ter experiência técnica. Artistas, músicos, designers, engenheiros, estudantes, técnicos de reparação e curiosos são todos bem-vindos. Serão fornecidas ferramentas, componentes e orientação.
A instalação que construirmos em conjunto será apresentada ao público durante o fim de semana de encerramento do festival.
O mapeamento de projeção é uma arte que consiste em projetar luz e animação digitais em múltiplas superfícies. “Wicket to the Unnamed” é uma obra que narra uma viagem desde o ponto em que estamos até ao ponto em que poderemos estar. O futuro ainda está lá, e cabe-nos a nós torná-lo habitável. Quais as possibilidades?
O Bazar MFF apresenta trabalhos e iniciativas de Moçambique e da região.
QUEM SOMOS?
Criando conversas programas comuns com pensadores, artistas, acadêmicos e especialistas altamente reconhecidos. Apresentando uma selecção de jovens e talentosos criadores locais, tanto online como on-site. Aumentando a sensibilização para a contribuição essencial de África, nos criamos parcerias estratégicas e sinergias para sustentar os nossos objectivos mútuos.
Como fazemos
Criando conversas programas comuns com pensadores, artistas, acadêmicos e especialistas altamente reconhecidos. Apresentando uma selecção de jovens e talentosos criadores locais, tanto online como on-site. Aumentando a sensibilização para a contribuição essencial de África, nos criamos parcerias estratégicas e sinergias para sustentar os nossos objectivos mútuos.
Missão
O nosso objetivo é sermos agentes de mudança na paisagem cultural africana, para criar conversas e inspirar os jovens através da nossa plataforma educativa inovadora.
Visão
Aumentar o nível de consciência das pessoas e transformar Maputo num hotspot internacional de inovação, pesquisa e criatividade.